A verdadeira e definitiva história do japamala

 em Conteúdo Mãos Ocupadas, Japamala

Você conhece a história do japamala? Ao longo dos últimos seis anos confeccionando japamalas, tivemos a oportunidade de entrar em contato com muita informação, desinformação, curiosidades, coisas interessantes e outras nem tão interessantes assim sobre o japamala.

Por ser um objeto devocional milenar, há muita especulação sobre ele. E conforme nossa relação com o japamala foi aumentando, aumentou também a intimidade e a natural necessidade de desvendar profunda e definitivamente a história deste objeto tão cheio de significados.

Depois de muito pesquisar, chegamos a uma conclusão dura e simples: não rola. Isso mesmo. Não rola desvendar a história do japamala. Os motivos são inúmeros. Sua história remonta a muitos séculos e se confunde com a história de muitas outras tradições e de muitos outros rosários. Seria muita pretensão de nossa parte, reles artesãos, contar uma “verdadeira e definitiva história do japamala”.

Mas mesmo assim, nosso trabalho nos encantou – nos encanta e continuará encantando – e por isso vamos compartilhar neste post algumas curiosidades que encontramos ao longo da investigação.

Antes, gostaríamos de te convidar para conhecer nossa vitrine de japamalas e conferir algumas das nossas peças. Clique aqui.

Um pouco do que encontramos sobre a história do japamala

Como sabemos, o japamala é um tipo de rosário, instrumento milenar usado em inúmeras práticas e tradições. Embora para nós no Brasil ele esteja muito associado ao catolicismo, há registros históricos do uso de colares de contas na África há 10.000 a.C. Ao longo dos séculos, inúmeras culturas usaram e usam colares de contas feitos com uma grande variedade de materiais – de ossos a cerâmica, por exemplo¹.

história do japamala

A imagem mais antiga de que se tem notícia de um colar de contas em um contexto religioso remonta ao século XVII a.C. Está registrada no afresco “Adoradores” encontrado na ilha grega de Santorini². Fonte: http://news.in.gr/files/1/2016/thira3.jpg

 

No entanto, não há consenso sobre as origens exatas dos colares de contas. Mas há indícios históricos bastante sólidos de que seu uso provavelmente remonta aos hindus, na Índia. Posteriormente, os budistas se apropriaram do conceito do hinduísmo. Há uma estátua de um sadhu – homem sagrado para os hindus – datada do século 3 a.C na qual ele porta um japamala.

As contas do rosário em diversas tradições

Masbaha 33 contas hematita e tecido

Masbaha de 33 contas feito com pedra hematita

O número de contas varia de acordo com a religião ou o uso. Os masbahas usados na tradição islâmica possuem 99 ou 33 contas. Budistas e hindus usam o japamala, que geralmente tem 108 contas ou seus múltiplos. O rosário Sikh também possui 108 contas.

Os católicos romanos usam o Terço com 54 e cinco contas adicionais. No entanto, os cristãos ortodoxos usam um rosário com 100 nós, embora as cordas de oração com 50 ou 33 nós também possam ser usadas.

Por outro lado o komboloi grego, que não têm finalidade religiosa – tem a pretensão de ser somente um brinquedo – tem um número ímpar de contas.

 

O japamala hindu e o mala budista

japamala tradicional feito de madeira tulsi e tecido laranja

Japamala tradicional hindu de 108 contas feito com tulsi

No hinduísmo, o japamala possui 108 contas e é usado principalmente na Sadhana ou Abhyasa, termo sânscrito que significa prática espiritual, aqui simploriamente resumido como a prática diária do yoga usada pelo praticante a alcançar o Moksha – grande “meta” do yogui³. Também é amplamente usado como amuleto de proteção ou objeto de decoração apenas.

mala budista com 108 contas feito com sândalo e pedras

Mala budista com 108 contas feito com sândalo e pedras

Já os malas budistas são usados em muitas formas do Budismo Mahayana e adquiriram variações conforme suas ramificações. No budismo chinês é chamado de pinyin; No japonês é chamado de juzu; No tibetano é chamado de mala4.

As semelhanças e diferenças entre o japamala hindu e o mala budista serão tratadas em outro post. Aguarde!

Como podemos ver, a história do japamala se confunde com a história dos rosários que por sua vez permeiam inúmeras tradições e culturas. Por essas e outras, nossa grande conclusão é de que não rola falar sobre a verdadeira e definitiva história do japamala! Isso é um trabalho para historiadores e anos e anos de pesquisa e investigação com rigor científico. Mas vale a pena conhecer estas curiosidades aqui.

Se você quiser compartilhar conosco mais informações, sugerir melhorias, correções e ajustes no nosso texto, fique à vontade. Será um prazer receber seus comentários pelo novo blog ou pelo email [email protected]

Mais uma vez reforçamos nosso convite para conhecer nossa vitrine de japamalas. Clique aqui.

Boas práticas!

Conteúdo produzido por Mãos Ocupadas. A cópia e distribuição é autorizada desde que citada a fonte.

Imagem do post: http://news.in.gr/files/1/2016/thira3.jpg

¹ https://en.wikipedia.org/wiki/Prayer_beads#cite_note-Lidia1-1

² https://en.wikipedia.org/wiki/Prayer_beads#cite_note-Win4-3

³ https://en.wikipedia.org/wiki/Prayer_beads#cite_note-salagram-22

https://en.wikipedia.org/wiki/Buddhist_prayer_beads

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